estufe o peito,
ria na cara
desse sujeito,
o tal efeito
que deixa o sol risonho
muito mais cruel.
buraco na cortina
de ozônio
expondo o céu.
estufe o peito,
empunhe a sua baioneta,
encare os raios,
faça um ultra-buquê
de suas violetas.
nem uvA, nem uvB,
seja mais você!
estie essa chuva ácida,
que chova sobre nós
apenas música clássica:
gotas de Mozart,
temporais de Bach,
invernos inteiros
de Vivaldi ao violino
sobre os canteiros.
estufe o peito,
rasgue a camisa,
aponte aos raios
uma outra direção,
deixe que o aquecimento,
dito global,
invada o quintal
do seu
coração.
mister m
foto: Thaís D'Angelo
segunda-feira, 21 de julho de 2008
isto feito
quinta-feira, 17 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
*firme, frágil, sutil*
diante de tua ausência
austera,
fria,
vagas deveriam ser as lembranças
contudo,
confesso confuso
que a saudade me invade a cada
vago instante
e deste modo, a cada segundo posso afirmar
firme,
frágil,
que hoje meu maior desejo é recuperar
o teu afeto,
os teus afagos,
e não por acaso, agora
me esforço em comprar
frases,
palavras,
que mal sei o significado
ao amar,
todavia,
é possível descobrir-se capaz, de forma
sutil,
transformar lágrimas tortuosas
em doce poesia
e também,
é possível descobrir
"que ninguém é
auto-suficiente
que não possa
rastejar"
foto: Emerson Barbosa
segunda-feira, 7 de julho de 2008
jardineiro fiel
um estandarte
um monumento
para estampar-te
uma obra de arte
um poema concreto
com as margaridas
que plantei
no teu
jardim secreto
Da cabeça de Múcio L Góes
foto: Francisco Manuel da Costa
sábado, 5 de julho de 2008
[...]
e hoje, quando ele
apareceu,
ela era só breu
e sóbrio eu,
tudo vi,
quando um cigarro acendi
que tristeza,
marina pequena
sol fazia pena
foto: Rosalina Afonso
quarta-feira, 2 de julho de 2008
balada para a bela Inês
me diga
quem foi que disse
essa tolice,
me diga
quem cometeu
essa sandice,
diga quem disse
essa doidice,
se foi Alah ou Alice,
se foi Dante ou Beatrice
quem disse.
foi Maomé, foi Ulisses,
me diga quando,
e aonde,
se foi James Dean,
ou James Bond
quem proferiu
tal maluquice.
me diga
como quem crê
em crendice,
quem foi que disse,
ou ainda insiste
em dizer que você
existe.
poesia: mister m
foto: Mauricio Ambar
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