houve um tempo
em que nossas lembranças
eram incríveis,
lembrávamos um do outro,
éramos infalíveis.
hoje a nossa memória
anda carente de indícios,
as cartas que um dia trocamos
não passam de vestígios
fenícios.
poesia: mister m
foto: Emanuel Amaral
domingo, 25 de maio de 2008
papel passado
quarta-feira, 21 de maio de 2008
menos
não fosse
esse outono,
diria ser verão.
em recife
faltam nuvens,
saudades
não.
ô L*** pq essa saudade insiste em fazer verão?! saudade estranha... de algo que nunca tive e ao mesmo tempo pareço ter sempre tão perto, sempre tão longe! :(
poesia: mister m
foto: tariana mara
domingo, 18 de maio de 2008
retina
nina, menina,
me dá uma pista,
se encena, me ensina,
sem que eu insista,
me assanha, me acena
tua senha, facilita
minha conquista.
me dá uma pista,
me nina, morena,
me ensina, me mostra
uma outra cena,
me diz do que gosta
a tua boca pequena,
me deixa sentar ao teu lado,
dançar colado contigo,
me deixa sentir o teu dentro,
teu abraço abrigo,
deixa que eu te lance
um laço, ou um míssil
de longo alcance.
morena menina,
me dá uma pista
antes que eu desista,
qualquer pista falsa,
que eu sigo a minha sina,
faço rock, um pop dessa valsa.
menina, me ensina,
como é que eu faço
para ver colada na tua
a minha retina.
como faço L***???
poesia: mister m
foto: David Sousa
quinta-feira, 15 de maio de 2008
em letras mudas
Era uma dessas noites em que o que se vê além da vidraça é aquela névoa que se dá nos outonos, e que nos incita mais à cama que a enfrentá-la nas ruas. Olinda anoiteceu assim àquele sábado. As pedras centenárias de suas ruas brilhavam ao longe, úmidas e mudas. Descer as ladeiras de cara para a brisa glacial que fazia, só mediante um convite irresistível. A cara no espelho era a mesma que saiu do sono após o almoço. E vontade mesmo, tinha apenas a de voltar aos braços de Morfeu; coisa que uma chamada no telefone logo se encarregou de fazê-lo mudar de idéia. Alguém “queria conversar um pouco”, e apesar do frio e da preguiça, ele tratou de oferecer os ouvidos, e até um ombro, caso necessário.Nenhum arsenal de possibilidades na praça do mesmo nome. Uma música qualquer. E o andar sem pressa das gentes, com a mesma chuva fina e fria insistindo em manter o ar impregnado de preguiça e parcimônia de gestos. Um vinho barato. Um bêbado que passa. Onde estaria o quê de irresistível num convite desses? Na companhia agradável dos amigos. No sarcasmo “wildeano” de Gabito. Na graça do sorriso de Tarcila. Na malícia morena de Day. Na doçura de Mah. Ali estavam, protegidos do frio na cumplicidade dos seus pares, mesmo que sentados no chão.
Seguiu a noite lenta e úmida, e do grupo ouvia-se ao longe as gargalhadas. A atmosfera de alegria dominava a cena, e por muito pouco se notava que chovia. Foi quando aquele coração apertado encontrou os ouvidos abertos: deu-se o monólogo. O que ouvia acariciava o que falava. No início, olho a olho; depois umas mãos passeavam pelo rosto dela; afastava umas mechas aqui e ali; sonhava-se além. E logo mais eram ombro e cabeça. Pulsar e sentir. E o que se falava já não se ouvia. E a mesma chuva fina e fria seguia no ar. E agora já eram só abraços, e sequer viam um ao outro, mas eram vistos, e para estes: felizes desde muito. Chuva. Vinho. Um cigarro, outro. Silêncio. Abraço. Música. Tudo foi dito em letras mudas, toques cegos. E não tardou a chuva trazer o sol, e o destino fechar as cortinas. E lá se foram os amigos. E um bêbado que passou, percebeu dentre eles que apenas um casal seguiu de mãos dadas.
baseado em fotos reais.
foto: ricardo costa.
texto: mister m.
terça-feira, 13 de maio de 2008
adeus você
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
foto: Hugo Tinoco
domingo, 11 de maio de 2008
Convite
Quando eu a conheci
Você não era assim tão fria
Vivia a me admirar
Queria então, viver pra mim.
Porém você pecou
Fez-me um Deus do amor
Sequer tentou saber
Se eu via em você
Uma Afrodite
E agora acredite ou não
Cansei de ver meu coração
Sem apetite
E antes que ele grite em vão
Terei que achar a solução
E o meu palpite é
Amanhecermos nus
Cercados de lençóis
E nesse instante ateu
Serei seu Eros
Serei seu elo
Seu Deus e amor.
poesia: Suelyton Melo
foto: Paulo Almeida

